Mulheres que Amam Demais

Todo mundo tem segredos

3 03UTC Novembro 03UTC 2009 · 1 Comentário

Todo mundo tem segredos. Ou pelo menos as pessoas interessantes. Nada mais chato que alguém mapeado, retilíneo, constante, doce, amável. Pra mim só vale a pena quem tem um cadáver no armário, uma sombra perigosa, um poço fundo. Não há muito o que aprender com quem nunca se arriscou. Nada a dividir com quem jamais saiu da segurança do previsível.
Por mais cruel que soe, o que desperta a curiosidade, suscita encantamento, não é a simpatia avalassadora ou a educação exemplar. O que faz nascer um certo feitiço é a falta de obviedade. Não é à toa que os mitos não nascem de águas claras mas sim da dualidade, da pouca incidência de clareza. Somos inerentemente fascinados pelo o que não entendemos, amamos o desconhecido com um amor tão lancinante quanto arriscado é por isso mergulha-se à noite, escala-se o Himalaia, tira-se férias no Japão, come-se fora de casa. São todas tentativas de descobrir temperos que despertem o paladar em vidas insípidas. É só quando ultrapassamos a barreira do familiar, do seguro, que nos tornamos verdadeiramente pessoas. Menos ingênuas mas completas. Mais complicadas mas com um impagável autoconhecimento. Um tanto inescrutáveis, o que pode incomodar os mais rasos mas infinitamente mais interessantes. Ter segredos é efeito de viver intensamente, a prova de que a realidade pode ser muito mais significativa do que nossos forçados sorrisos de bom-dia, o escritório claustrofóbico, o saldo negativo.
É ter coragem de arcar com o peso de ser único, independentemente de nossos atos serem louváveis ou não. Porque quem não se arrisca, não faz besteira e não erra, não vive, apenas desperdiça o sagrado tempo que deveria ser aproveitado com paixão. Apenas caminha, sem deixar pegadas, sobre os dias, rumo à morte.”

(Ailin Aleixo)


Categorias: Literatura
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1 resposta Até agora ↓

  • Rômulo S. Vargas Rodrigues // 21 21UTC Novembro 21UTC 2009 às 23:32 | Responder

    Nossos segredos nos fazem caminhar entre milhares mantendo com o indelével uma cumplicidade quase sobrenatural! Nossos segredos nos fazem melhor amantes, melhor amigos e mais humildes com os que erram!
    Porém, também podem nos tornar pesarosos e tristes quando tais segredos nos arranham incessantemente a consciência! Nesse caso, melhor é a exposição que a manutenção.

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