NInguém me canta como você

ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você.”

alice ruiz.

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Apenas duas pernas

“Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi – na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro”.

(Clarice Lispector. Paixão Segundo G.H)

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BALÃO TRÁGICO

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Limão NA OSTRA?

“Não gosto é quando pingam limão nas minhas profundezas
e fazem com que me contorça toda.
Os fatos da vida são o limão na ostra?”
CLARICE LISPECTOR

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O céu de Icaro tem mais poesia que o de Galileu

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Tapas

Hoje existir me dói como uma bofetada.

Caio F.

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Lendo jornal na fila

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Efêmera

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Quantas?

“Quantas esquinas eu ainda vou precisar dobrar até você estar lá?”

(Gabito Nunes)

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pra que a gente está no mundo?

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